A avaliação pré-operatória visa identificar alterações que possam ser corrigidas antes do procedimento cirúrgico, a fim de diminuir os riscos operatórios. A avaliação deve conter a análise de risco cardiopulmonar e exames complementares, principalmente em decorrência das alterações metabólicas.
Antes de qualquer exame ou procedimento é necessário conhecer o histórico do paciente. Tabagismo, medicações utilizadas, doenças associadas (hipertensão e diabetes), emagrecimento, intolerância aos esforços e história familiar.
O exame físico é realizado no intuito de detectar sinais e sintomas que devem ser investigados e levados em consideração antes da indicação da cirurgia. Por exemplo: dispneia (falta de ar), tosse, broncoespasmo (¨chiado¨), cianose (extremidades azuladas ou arroxeadas, denotando dificuldade de oxigenação), palpitações e precordialgia (dor torácica) devem ser levadas em consideração antes da indicação cirúrgica.
Como a cirurgia torácica trabalha principalmente com a anestesia geral, é necessário um hemograma completo (para verificar a contagem de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O coagulograma também é importante para o controle adequado da coagulação sanguínea.
A gasometria é outro exame de igual importância para que se tenha o controle de O2 e CO2. Este exame é fundamental no intra-operatório e extremamente necessário para o manejo pós-operatório das cirurgias de grande porte.
Deve-se sempre realizar radiografia de tórax nos pacientes submetidos à cirurgia torácica, principalmente na véspera ou no dia da cirurgia, pois não é pouco comum a mudança nas alterações do padrão radiológico para melhor ou para pior.
A tomografia computadorizada do tórax é indispensável na cirurgia torácica por ajudar na estratégia e abordagem das lesões, facilitando inclusive no diagnóstico. Sempre que possível, deverá ser feita com contraste, a fim de identificar comprometimento vascular associado.
Já a ressonância nuclear magnética tem sua vantagem sobre a tomografia na avaliação se tumores torácicos estão invadindo vasos e nervos torácicos de grosso calibre ou estruturas musculares ou ósseas do esqueleto torácico.
A broncoscopia é um importante método para avaliação pré-operatória das vias aéreas e indispensável na rotina do diagnóstico e estadiamento (verificação do estágio da doença maligna) das neoplasias pulmonares. A visualização endoscópica dos brônquios e da traquéia permite a coleta de materiais por aspiração ou biópsia de forma pouca invasiva.
É solicitada para pacientes que serão submetidos à cirurgia de ressecção pulmonar. Visa medir os volumes e a capacidade pulmonares, permitindo verificar se há necessidade de se fazer uma reabilitação pulmonar pré-operatória (fisioterapia respiratória, medicações, etc.), além de avaliar o risco de complicações pulmonares pós-operatórias.
O eletrocardiograma e o ecocardiograma são exames que devem ser solicitados para possível detecção de disfunções cardíacas, arritmias, doenças valvares, alterações secundárias ao infarto do miocárdio, hipertensão pulmonar dentre outras patologias. Estas alterações cardíacas podem ter influência quanto ao uso de anestésicos durante a cirurgia assim como nos cuidados pós-operatórios.
Os cuidados pós-operatórios estão diretamente relacionados ao tipo de cirurgia realizada, à doença que motivou a cirurgia, idade e doenças associadas. Cirurgias de pequeno e médio porte evoluem de forma favorável com índice de complicação menor que 1%. Entretanto, as cirurgias de grande porte e tempo prolongado, apresentam alterações circulatórias e ventilatórias que podem levar a sobrecarga do coração com alto risco de promover isquemia do miocárdio.
Os analgésicos para o pós-operatório podem ser administrados tanto por via oral, quanto por via intravenosa, dependendo da cirurgia realizada. Os efeitos colaterais possíveis são náuseas, vômitos, constipação, cólicas abdominais por espasmos intestinais de vísceras ocas e erupções alérgicas com prurido. Todos esses sintomas são facilmente revertidos. Na maioria das vezes, há associação com antiinflamatórios.
A analgesia peridural pode ser utilizada também e tem evitado grande parte dos efeitos colaterais que ocorrem na analgesia por via oral ou intravenosa.
Os drenos de tórax são colocados geralmente ao redor do pulmão (na cavidade pleural) e estão sempre conectados a um coletor. Os cuidados e a manutenção desse sistema influenciarão diretamente o resultado da cirurgia. Através desse dreno, o médico acompanha as características da secreção, quantidade de débito de drenagem e a presença de fuga aérea. A enfermagem fica responsável pelos curativos, troca do líquido do selo d´água e anotação diária do débito de drenagem.
A fisioterapia respiratória tem sido muito utilizada antes e depois das cirurgias torácicas na prevenção e tratamento de complicações, como retenção de secreção, atelectasias e pneumonia. A necessidade de cada paciente irá determinar o tempo de duração e freqüência da fisioterapia respiratória. Porém, alguns antecedentes como o tabagismo, etilismo, obesidade, desnutrição, idade e tempo prolongado de anestésicos podem tornar o paciente mais suscetível a complicações no pós-operatório.