Hiperidrose: Suando em Bicas |
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Livro publicado pela editora Nobel. Autora Regina Lunkes Diehl.
A angústia e o constrangimento experimentados pelos indivíduos que apresentam hiperidrose, interferindo significativamente em sua qualidade de vida por comprometer atividades sociais, profissionais, afetivas e educacionais, já são conhecidos por nós há muito tempo.
Para quem vivencia tanto este problema, tendo examinado centenas de pacientes, a afi rmação de dirigentes de alguns planos de saúde, pouco recomendáveis, diga-se de passagem, de que a hiperidrose é uma condição de caráter estético, é simplesmente absurda, pois estamos diante de uma manifestação funcional incapacitante, que, conseqüentemente, necessita de tratamento médico adequado. Alguns exemplos de pacientes por nós tratados ao longo dos vários anos servem perfeitamente para colocar por terra aquela alegação absurda.
Assim, no início de nossa experiência operamos um eletricista que, por estar com as mãos permanentemente úmidas, tomava choques elétricos com freqüência, o que dificultava o exercício seguro de sua atividade profissional. Nessa mesma época, recebemos uma criança de 10 anos, oriunda da zona rural, que apanhava dos pais, os quais, por ignorância, entendiam que a criança molhava os cadernos de propósito. Mais recentemente tivemos a oportunidade de operar um dos pacientes mais jovens de nossa casuística: tratava-se de um menino de 8 anos que estava tendo dificuldade de ser alfabetizado na escola por não conseguir aprender a escrever porque o lápis escorregava de suas mãos constantemente molhadas.
Certamente, poucos pacientes tiveram a capacidade de transmitir verbalmente seus sentimentos com tamanha clareza e emoção como fez a Regina por ocasião de sua primeira consulta conosco. Curiosamente, nessa consulta, não pudemos constatar objetivamente a sudorese excessiva das mãos e pés, que constituía sua principal queixa. No entanto, era difícil não acreditar nas palavras daquela jovem bonita e elegante, pois o sofrimento estampado em seu rosto e a esperança de ter seu problema de saúde solucionado para “iniciar uma nova vida”, conforme suas próprias palavras nessa ocasião, sensibilizaram-nos profundamente.
A constatação objetiva da sudorese excessiva referida pela Regina não demorou mais do que 48 horas, espaço de tempo que decorreu da consulta inicial ao primeiro retorno para nos mostrar os resultados dos exames pré-operatórios solicitados de rotina para a realização da intervenção cirúrgica. Nessa ocasião, lá estava ela, na porta de nosso consultório, com as mãos brilhando, suando bastante, quase a ponto de pingar e molhar o chão onde pisávamos. Os seus olhos brilhavam mais do que as mãos e expressavam aquela certeza de uma vitória: “Agora, sim, mostrei o que me afl ige e finalmente vou ter a cura para isto!”
Diante de todas as evidências referidas e não havendo qualquer contra-indicação para a consecução da simpatectomia, procuramos acelerar a solução de sua afl ição, que pôde ser concretizada com sucesso, apesar da necessidade de se realizar três procedimentos cirúrgicos, o que não é usual nesse tipo de afecção.
Quando a Regina, “após começar nova vida”, entusiasmou-se e decidiu escrever este livro, teve, de imediato, nosso apoio incondicional, pois sua leitura poderia ajudar milhares de pessoas, portadoras de hiperidrose e que desconhecem a existência de tratamento para essa incômoda manifestação, a compreendê-la melhor e procurar o tratamento mais adequado para seu caso.
Na verdade, estimulamos a Regina a fazê-lo e a transmitir toda a sua experiência com a doença, desde a infância, passando pela adolescência, período em que a hiperidrose tende a se acentuar pela instabilidade psíquica própria dessa fase, chegando à idade adulta, sem que houvesse melhora da sudorese excessiva com o amadurecimento físico e psíquico do organismo. Aliás, trabalhos recentes na literatura têm ressaltado a importância de se tratar precocemente pacientes com hiperidrose, antes da adolescência, fase da vida onde as manifestações psicossomáticas tendem a se agravar.
A formação jornalística da autora, aliada ao seu temperamento expansivo, à sua capacidade de discernimento e à facilidade para traduzir em palavras todas as sensações desagradáveis determinadas pela hiperidrose e experimentadas durante três décadas de vida, constituíam, a nosso ver, predicados suficientes para credenciá-la a escrever este compêndio.
Acompanhamos de perto o estafante trabalho de pesquisa desenvolvido pela autora que não mediu esforços para tornar o livro abrangente, relatando não somente sua experiência vivida com a hiperidrose, como também as aflições sofridas por muitos pacientes, extraídas das correspondências a nós enviadas e das várias entrevistas com eles realizadas. Além desses aspectos, são relatados pormenores técnicos da doença e de seu tratamento, em linguagem simples e clara, sendo facilmente compreendidos mesmo por aqueles pouco afeitos a termos médicos.
É preciso ressaltar a importância desta obra em nosso meio, pois, ao que nos consta, não existe nenhuma outra publicação na literatura nacional e internacional, contendo tão grande número de informações sobre a hiperidrose, e que forneça explicações e soluções para melhor entendimento e tratamento da doença. Sua leitura torna-se, assim, obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer melhor essa condição e para a legião de sofredores que vive perambulando por consultórios médicos a procura de ajuda para solucionar seu problema de saúde.
O resultado fi nal foi muito gratificante, pois, apesar de o texto, à primeira vista, parecer um tanto extenso, desperta interesse crescente à medida que a leitura progride em face da fluidez das idéias expostas e da interessante seqüência de eventos relatados.
Parabéns, Regina! Dr. Paulo Kauffman e Dr. José Ribas Milanez de Campos
Introdução
Parte I — Verdades e mentiras sobre a hiperidrose
Parte II — Com a palavra, os médicos
Parte III — Perguntas e respostas
Parte IV — Com a palavra, as vítimas da hiperidrose