Traumas torácicos

22 de julho de 2016

Os traumas torácicos são responsáveis por 25% das mortes provocadas por traumas em geral. Veja quais são os tipos.

O trauma torácico é responsável por 25% das mortes provocadas por traumas em geral. A mortalidade decorrente exclusivamente de traumas torácicos é de 10%.

A principal causa de morte do paciente é a hipóxia (falta de oxigenação para os órgãos). Cabe ao médico socorrista saber avaliar e corrigir as causas. A falta de oxigenação pode ser uma consequência de obstrução nas vias respiratórias, hemorragias, lesões intra-torácicas e alterações na relação ventilação-perfusão (um distúrbio que faz com que o pulmão não receba sangue e/ou ar adequadamente, gerando a falta de oxigenação do nosso sangue).

GRUPO 1

As lesões traumáticas do tórax são divididas em dois grandes grupos. No primeiro grupo estão lesões que causam risco de morte e por isso são de máxima prioridade. Devem ser identificados no exame primário (inicial) e são elas:
Lesão de vias aéreas

Pode ocorrer devido à presença de fraturas de face, incluindo região da boca, ou pela presença de corpos estranhos (dentes quebrados por exemplo) na boca e garganta, lesões no pescoço que atingem a laringe (onde estão as cordas vocais) ou até por fraturas da clavícula que afundem em direção ao pescoço. O médico socorrista deve reconhecer a obstrução ao fluxo de ar e corrigi-la imediatamente. O paciente que apresenta este tipo de lesão não consegue respirar ou falar, podendo apresentar desconforto respiratório, estridor laríngeo (grunhido durante a inspiração) e rouquidão.

Pneumotórax aberto ou ferida torácica aspirativa

É um ferimento grande e aberto na parede torácica provocado por acidentes penetrantes. Quando o paciente tenta respirar, o ar entra preferencialmente pelo ferimento, ao invés de entrar pelo nariz e por toda a via respiratória até chegar ao pulmão. Dessa forma, o paciente fica com desconforto respiratório e hipóxia. O tratamento deve ser feito imediatamente pela equipe médica com um curativo quadrado que cubra o ferimento adequadamente, fixado com fita adesiva em três dos quatro lados (do quadrado). Depois, o cirurgião deverá drenar o tórax e fechar cirurgicamente o ferimento.

Tórax instável e contusão pulmonar

O tórax instável ocorre quando uma porção da parede do tórax fica “solta” devido a múltiplas fraturas de costelas. Um segmento de parede torácica instável é causado por duas ou mais fraturas de costelas em dois ou mais lugares e provoca dor intensa. Conforme este segmento “solto” se mexe com a respiração, vai havendo contusões e hematomas sobre a região do pulmão que está abaixo dele. Isto pode provocar insuficiência respiratória, hipóxia, necessidade de intubação e uso de respirador para que o paciente possa sobreviver.

Hemotórax maciço

É uma hemorragia interna dentro do tórax causada por sangramento de vasos sanguíneos calibrosos. Essa hemorragia acumulada pode levar à falta de ar, hipóxia e queda de pressão arterial. É necessária a drenagem imediata do tórax para evacuar de 1500 ml a 2000 ml de sangue acumulado por hora nas próximas 2 a 4 horas.Nesta situação, é muito provável que haja necessidade de cirurgia para corrigir a lesão que está originando o sangramento volumoso.

GRUPO 2

No segundo grupo estão as lesões mais brandas, mas que também trazem riscos à saúde . Devem ser identificadas em exames secundários (reavaliação) e tratados para não ocorrerem complicações futuras:

Hemotórax

Sangramento inferior a 1500ml por rompimento de vasos sanguíneos menores. Exige a avaliação do cirurgião torácico para que seja feito o tratamento adequado (drenagem torácica).

Contusão pulmonar

Lesões e hematomas pulmonares causados por trauma fechado ou trauma penetrante. Estas lesões podem causar insuficiência respiratória no decorrer de algumas horas e é necessário que o paciente fique internado, muitas vezes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Há casos em que a intubação e uso de respirador mecânico são utilizados.

Traumatismo cardíaco contuso

A contusão do coração pode levar a ruptura das câmaras do coração, trombose das artérias coronárias (com consequente infarto do miocárdio) ou laceração das válvulas cardíacas. Pode haver também tamponamento cardíaco e arritmias (batimentos cardíacos em descompasso). Este tipo de lesão pode ocorrer, por exemplo, num acidente de carro em que o motorista bate o peito contra o volante. Deve-se internar o paciente na UTI para monitorização cardíaca e realização de exames cardiológicos. A avaliação de um cirurgião cardíaco ou torácico deve ser realizada.

Ruptura traumática da aorta

A aorta é a principal artéria do nosso corpo. Quedas de altura e acidentes de carro com desaceleração súbita são as grandes causas de ruptura da aorta por trauma. A grande maioria dos pacientes morre no local do acidente. Aqueles que chegam ao hospital normalmente sofreram uma ruptura incompleta e o sangue está contido no mediastino (espaço entre os dois pulmões). A radiografia de tórax mostra sinais que levam o socorrista a suspeitar deste tipo de lesão. Uma vez suspeitando-se de ruptura de aorta deve-se realizar a tomografia de tórax. É fundamental a avaliação do cirurgião cárdio-torácico para o tratamento desta lesão.

Lesão traumática do diafragma

É o rompimento do diafragma (músculo que auxilia a respiração e que separa o tórax do abdômen), geralmente por trauma fechado abdominal ou por trauma penetrante. Ocasiona a subida de órgãos abdominais e alças intestinais para o lado comprometido. A correção cirúrgica deve envolver necessariamente um cirurgião geral ou do aparelho digestivo, além do cirurgião torácico.

Ruptura esofágica no traumatismo fechado

É o rompimento do esôfago (canal que leva a comida da garganta até o estomago) por trauma fechado (golpe na região abdominal superior). O rompimento do esôfago contamina o mediastino com conteúdo rico em bactérias, produzindo a mediastinite. É uma infecção grave, que necessita de reparo cirúrgico urgente, com a participação do cirurgião geral ou do aparelho digestivo e do cirurgião torácico. A intervenção deve remover o conteúdo contaminado e os restos alimentares, lavando o mediastino e corrigindo a perfuração.

Outras lesões torácicas que não implicam em risco de morte imediato,  mas que  podem resultar em prejuízos consideráveis para o doente:

1) Enfisema de subcutâneo
2) Lesões torácicas por esmagamento (asfixia traumática)
3) Fratura de costelas, esterno e escápula.

A maioria das lesões traumáticas do tórax é tratada apenas com suporte ventilatório, analgésico e drenagem de tórax. Somente de 15 a 30% dos traumas torácicos penetrantes e menos de 10% dos traumas contusos requerem intervenção cirúrgica.

O médico socorrista dever estar preparado para reconhecer e corrigir as lesões torácicas graves que podem colocar em risco a vida do paciente no atendimento inicial. É ele que deve reconhecer a necessidade da avaliação especializada do cirurgião torácico.

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