Tumores na parede torácica

22 de julho de 2016

Tumores que se originam na parede torácica são pouco frequentes e muitas vezes assintomáticos.

A parede torácica é uma estrutura formada por um conjunto músculo-esquelético firme, móvel e elástico, que protege os órgãos internos da região do tórax e sustenta o pescoço e os membros superiores. Sua estrutura monta uma caixa, cuja movimentação permite as variações de volume e pressão no compartimento interno fundamentais para permitir a ventilação pulmonar.

Apesar de poder se manifestar em todas as idades, os tumores que se originam nessa região são pouco frequentes e muitas vezes assintomáticos. Embora a suspeita clínica possa ser feita apenas com a história e o exame físico, o diagnóstico definitivo muitas vezes é demorado, pois tanto os sinais e sintomas quanto os exames são frequentemente mal interpretados.

Evidências sugerem que lesões de crescimento lento em indivíduos jovens têm maior probabilidade de ser benignas do que as lesões rapidamente expansivas em adultos ou idosos, mas isso nem sempre se confirma.

SINTOMAS

Apesar de termos a tendência de achar que lesões dolorosas têm maior probabilidade de serem malignas, os dados reais mostram que 50% dos tumores malignos são assintomáticos. Mas é comum escutar algumas queixas de dor em estádios mais avançados.

DIAGNÓSTICO

A principal manifestação dos tumores da parede torácica é a massa palpável. O diagnóstico diferencial envolve deformidade torácica (principalmente em crianças e adolescentes), trauma, infecção e qualquer outra entidade que altere o contorno da parede.

Deve ficar claro que lesões pequenas, principalmente em pacientes obesos, podem passar despercebidas por muito tempo, assim como lesões que crescem preferencialmente para dentro da cavidade. Lembrar também das lesões sub-escapulares, cujo exemplo clássico é o elastofibroma, que é um tumor benigno de crescimento lento que acomete principalmente mulheres adultas e idosas, e só é visível com a movimentação lateral da escápula.

A radiografia convencional pode ser de pouca valia no diagnóstico, principalmente nas lesões pequenas, localizadas na parede posterior ou que se projetam sobre a sombra cardíaca ou hepática. A tomografia computadorizada ainda é o melhor método de avaliação e, embora muitos peçam a ressonância nuclear magnética como primeiro exame, consideramos que a primeira fornece imagens mais precisas das estruturas, permite reconstruir imagens do esqueleto muito valiosas, além de identificar possíveis metástases pulmonares, que são a forma de disseminação mais comum desses sarcomas.

O valor do Pet-scan no diagnóstico dos tumores mesenquimais (que são a maioria dos tumores da parede torácica) ainda não está claro e não está inserido na rotina da maioria dos serviços.

TRATAMENTO

Tumores de linhagem linfoproliferativa e metástases identificados por biópsia respondem ao tratamento não cirúrgico (quimioterapia e/ou radioterapia). A ressecção, quando necessária, é um procedimento adjuvante, sendo indicadas operações mais conservadoras.

Como a maioria dos tumores primários malignos da parede da parede torácica é da linhagem sarcomatosa, sabemos que respondem mal à quimioterapia convencional e menos ainda à radioterapia. Por isso, o tratamento cirúrgico agressivo ainda é a alternativa mais indicada.

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